António Costa pede suspensão das taxas nos centros de saúde para retirar pressão sobre urgências

O líder do PS recebeu os bastonários dos Médicos e dos Enfermeiros para debater a situação na saúde. Considera que Portugal está a “pagar o preço de uma política orçamental verdadeiramente desastrada” devido aos “cortes cegos” no sector. “É necessário que esta política mude”, defende.

Depois das mortes registadas nas urgências hospitalares devido à grande afluência nesta altura do ano, o líder do maior partido da oposição pediu ao Governo de Passos Coelho para suspender a cobrança de taxas moderadoras nos casos mais graves nos centros de saúde.

O objectivo da medida é retirar a pressão sobre as urgências hospitalares num momento de grande afluência de doentes devido ao pico do surto de gripe.

“Esta é uma medida temporária, de natureza extraordinária, e limitada às situações de doentes agudos, como forma de encaminhar as populações para os centros de saúde como forma de diminuir as pressões sobre as urgências”, disse António Costa esta sexta-feira, 23 de Janeiro.

“Esta medida só é possível se for acompanhada do aumento da capacidade de atendimento dos centros de saúde, o que pressupõe a generalização dos horários de atendimento e o reforço da capacidade humana”, defendeu.

A proposta foi feita após o encontro entre o socialista e os bastonários da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, e dos Enfermeiros, Germano Couto.

Após várias mortes nas urgências hospitalares, o secretário-geral do PS apontou que os hospitais estão sobrecarregados devido aos cortes na área da saúde e dos cuidados primários.

“Os cuidados de saúde são absolutamente fundamentais para a população. Estamos a pagar o preço de uma política orçamental verdadeiramente desastrada. É necessário que esta política mude. Tem custos”, afirmou.

Sublinhou que os cortes orçamentais estiveram na origem dos problemas relacionados com a plataforma da justiça Citius, com a abertura do ano lectivo e com a deterioração da qualidade dos cuidados de saúde.

Considera que, neste momento, é “fundamental responder à urgência do que se vive nas urgências”. Defendeu que é necessário “aumentar a capacidade de resposta nas urgências” e “encaminhar e criar melhores condições nos centros de saúde”.

“Os cortes cegos produziram uma redução significativa da capacidade de resposta. A crise social agravou as condições de vida e de saúde das populações”, disse, dando o exemplo de pessoas que reduzem o consumo de energia para não aumentar os seus gastos, ou a diminuição na “qualidade da alimentação”.

Depois da reforma nos cuidados de saúde primários em 2006, apontou que tem havido um “corte de investimento” no sector, o que está a causar uma sobrecarga dos hospitais.

Como consequência, a taxa de imigração de enfermeiros alcançou “níveis absolutamente assustadores” e houve uma “diminuição significativa” de médicos com “experiência e formação completa”.

O Ministério Público (MP) está a investigar os casos de três doentes que morreram nas urgências dos hospitais de S. José, Peniche e Santa Maria da Feira. Desde o início do Inverno que já morreram oito pessoas em urgências hospitalares, segundo a agência Lusa. A epidemia de gripe é uma das principais causas para estas mortes.

André Cabrita-Mendes
Noticia originalmente publicada em : 23 de janeiro de 2015 às 13:09

Fonte: Jornal de Negócios 

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