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PM diz que “antipatia das cativações” permitiu comprar quadros de Vieira da Silva

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que a compra, pelo Estado, de seis quadros de Maria Helena Vieira da Silva, por 5,5 milhões de euros, pretende “reforçar a cidadania” e foi possível graças à “antipatia das cativações”.

“A aquisição pelo Estado destas seis obras não se inscreve só no investimento que temos procurado fazer na valorização do património cultural nacional (…) mas também num conjunto de investimentos que têm vindo a ser feitos”, afirmou o chefe do Governo, numa cerimónia na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva que assinalou a aquisição de seis obras da pintora (1908-1992).

“Marca um resgate, porque depois do resgate que sofremos, merecemos agora resgatar-nos”, disse.

O primeiro-ministro agradeceu a colaboração do Ministério da Cultura e o “muito importante trabalho do Ministério das Finanças, em particular do secretário de Estado do Tesouro”, Álvaro Novo, a quem “costuma estar reservada a parte mais antipática” do trabalho do Governo, “mas é uma parte do trabalho que é absolutamente essencial, sem a qual nada do resto era possível fazer”.

“Se foi possível pagar a pronto estes quadros, sem ficarmos a pagar juros nem se adiar mais, com o risco de eles se virem a perder, também se deveu ao facto de durante muitos meses terem suportado designadamente a antipatia das cativações e o esforço que foi feito para se poder chegar ao final do ano com condições de fazer esta aquisição, de podermos fazer investimentos que também eram importantes noutras áreas e cumprir os compromissos que temos com os cidadãos e também os compromissos internacionais que o país tem”, considerou.

“Ter finanças públicas sólidas é fundamental, mas só é fundamental se a partir daí conseguirmos construir aquele país que queremos, um país que tem de ter um melhor Serviço Nacional de saúde, uma melhor escola pública, ter melhores infraestruturas, tem também de investir na cultura, isso é absolutamente essencial”, destacou.

O primeiro-ministro comentou que “o maior privilégio” das suas funções é ter, no seu gabinete, “uma grande obra” de Vieira da Silva.

“É para que esse privilégio possa ser de todos os cidadãos e possa ser partilhado com todos os que nos visitam que é fundamental que a sua obra possa estar exposta não apenas no gabinete do primeiro-ministro, mas possa, graças à Fundação, estar aberta ao público e ser fruída por todos. É assim que se constrói a cidadania e é para reforçar a cidadania que adquirimos estas seis obras da Maria Helena Vieira da Silva”, referiu.

O ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, disse que as obras ficarão expostas no museu da Fundação, em Lisboa, e, nos próximos meses, serão apresentadas em “diversos pontos” do país.

Segundo o governante, a decisão de adquirir estes quadros, tomada em setembro passado, mostra que o “Governo está atento e nunca deixará de intervir na defesa dos interesses do país e na preservação destes tesouros no território nacional, assegurando a sua plena fruição”.

Antes, a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva criticou a política do executivo no setor da cultura.

“Muitas vezes nos queixamos do pouco acarinhada que a cultura é, nomeadamente por este governo. Não é culpa do senhor ministro da Cultura nem do senhor primeiro-ministro, mas esperávamos muito mais”, afirmou.

A historiadora descreveu que fez “umas contas terríveis”, que mostraram que o Estado Novo gastou mais do que o Estado depois do 25 de abril de 1974.

“Contas certas, de certeza, agora, com a aquisição pelo Estado português destas obras. Foram caras, é o castigo dos deuses. Agora comprámos pelo preço de mercado”, comentou.

Já o presidente do conselho de administração da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, António Gomes de Pinho, elogiou a política do atual executivo.

“Com a posse deste Governo, alguma coisa mudou radicalmente”, nomeadamente na forma de “encarar o problema: passar de uma dimensão em que se encarava como um custo, um problema financeiro, para uma visão estratégica, cultural, política, em que esta aquisição passou a ser encarada como um investimento no futuro”, sublinhou.

Para o administrador da fundação, “o dia de hoje é uma espécie de refundação desta instituição, há uma espécie de novo compromisso do Estado, dos fundadores, dos mecenas e da sociedade civil em torno de uma instituição e o reconhecimento que ela tem um papel relevante na cultura portuguesa”.

As seis pinturas – “Novembre” (1958), “La Mer” (1961), “Au fur et à mesure” (1965), “L`Esplanade” (1967), “New Amsterdam I” e “New Amsterdam II” (1970) – já se encontravam expostas no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva.

Os seis quadros tinham sido emprestados à fundação no âmbito de um acordo de cedência, válido por cinco anos, que terminou em 31 de dezembro de 2015.

 

Fonte: RTP

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