Justiça exige que as taxas sejam pagas pela mãe da vítima de Pedro Dia

João Paulo Matias, advogado da família, apelou ao tribunal para ter atenção às custas da justiça.

A mãe de Liliane Pinto, Fátima Lino, pagou taxas de justiça para ser assistente, pagou taxas para requerer o pedido de indemnização cível e agora arrisca-se a pagar taxas milionárias após a condenação de Pedro Dias.

Peço ao tribunal para ter em conta o sofrimento destas famílias e ser condescendente no pagamento das taxas relativas ao pedido cível”, disse esta sexta-feira o advogado João Paulo Matias aos juízes, durante as alegações. O advogado lembrou que dificilmente as vítimas serão ressarcidas – Pedro Dias não tem bens – o que torna ainda a situação mais desigual. “Caberá ao tribunal ter isso em consideração. Espero que as famílias não sejam condenadas a pagar milhares pelos pedidos de indemnização que não forem providos”, referiu.

“É uma vergonha. Nada repara o que ele fez à minha filha, mas além de não recebermos um tostão ainda temos de pagar”, desabafou a mãe ao CM.

O julgamento, que esta sexta-feira terminou, foi ainda marcado pelas alegações de Mónica Quintela. A advogada que defende Pedro Dias falou primeiro para as famílias e disse que compreendia o sofrimento que viviam. “Mas todos têm direito a defesa. E ninguém pode ser condenado por crimes que não cometeu”, garantiu. Para a advogada, não há dúvidas de que Pedro Dias não premeditou os crimes.

“No caso da vítima Carlos Caetano foi homicídio privilegiado”, garantiu a advogada, que escolheu um tipo penal que permite pena suspensa. Disse depois que não se fez prova de que Pedro Dias matou Liliane e Luís e no caso de Arouca apenas ocorreram “ofensas corporais simples”. Diz que não houve crimes de roubo.

“Devia ver e rever os rostos de quem matou”

Fátima Espadilha, irmã de António Ferreira, o militar da GNR que Pedro Dias acusa de ser o assassino do casal, está devastada. Escreveu esta sexta-feira um texto na sua página pessoal do Facebook a revoltar-se com quem maltrata a memória de quem já não se pode defender. Referia-se ao homicida de Aguiar da Beira e às acusações feitas a Carlos Caetano, durante o depoimento prestado na quinta-feira.

Ao CM, Fátima disse estar revoltada. “Estamos todos muito cansados e tem sido muito difícil. O que foi dito em tribunal é uma vergonha, mas sempre achei que ele não tinha um pingo de vergonha. Pedro Dias devia ver e rever, todas as noites, os rostos das pessoas que matou. Podia ser que percebesse o que fez”, garantiu.

António Ferreira deverá apenas estar presente na sentença, marcada para dia 8 de março, já que as deslocações, para ele, revelam-se difíceis. Tem uma bala ainda alojada na coluna.

Fonte: CM

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