A despedida de Passos Coelho: “Tirámos o país da quase bancarrota”

No discurso de abertura do 37º Congresso Nacional do PSD, o líder cessante enalteceu o trabalho realizado pelo Governo PSD/CDS-PP nos anos da “troika” e apresentou a sua visão sobre o passado, presente e futuro do PSD, ao nível político e ideológico. “Nunca estivemos demasiado agarrados a um corpo dogmático, ideológico, como outros”, salientou.

Na abertura do 37º Congresso Nacional do PSD, em Lisboa, a palavra é de Pedro Passos Coelho. Em jeito de despedida, o líder cessante começou por enaltecer o trabalho realizado ao longo de cinco anos de Governo PSD/CDS-PP, vincando o papel desempenhado pelo CDS-PP “que será importante no futuro”. Nessa fase inicial do discurso, Passos Coelho não deixou de recordar: “Tirámos o país da quase bancarrota”.

Passos Coelho explanou depois a sua visão sobre o PSD, ao nível político e ideológico. “Acho que aquilo que muitos têm, ao longo da nossa existência, considerado um defeito, tem sido a nossa grande virtude. Nunca estivemos demasiado agarrados a um corpo dogmático, ideológico, como outros que quiseram sempre meter a sociedade nas suas simplificações tão redutoras. Ao contrário, guiamo-nos sobretudo por valores, princípios, ideais”, salientou o líder cessante do PSD.

“Nós procurámos ser, ao longo da nossa história, um partido reformista, realista na medida em que temos contacto com a realidade, queremos sobretudo responder aos problemas da sociedade do nosso tempo e daquele tempo que se adivinha mais próximo. Fazê-lo, como disse, sem dogmatismos, sem nos arvorarmos de ter a única resposta certa, a resposta para todos os problemas. Nós não criámos soluções artificiais para os problemas. Procurámos sempre ver a complexidade das coisas e, de forma às vezes mais direta, outras vezes mais subtil, encontrar em cada momento o caminho certo para acrescentar futuro,” prosseguiu.

“Posso hoje dizer que me sinto, não direi realizado, mas feliz por pertencer a um partido que tendo estas qualidades, sendo reformista, realista, é também um partido que rejeita os vanguardismos, que põe de lado as soluções reacionárias, ou revolucionárias, e sobretudo respeita a pessoa. E nessa visão personalista sabe, do Estado a qualquer outra instituição, que a dignidade do ser humano, e a pessoa, é o limite de toda a ação e a medida de toda a solução”, afirmou Passos Coelho, após ter invocado Francisco Sá Carneiro e argumentado que o PSD tem defendido, ao longo das últimas décadas, o legado do seu antigo líder e fundador.

“Esse partido é o nosso e não conheço outro como o nosso que siga estes valores, que tenha este respeito pelas pessoas e que encare a inteligência dos portugueses de uma forma tão direta e tão verdadeira como nós”, declarou Passos Coelho, por entre fortes aplausos dos militantes do PSD. “Nós somos solidários, mas nunca defendemos soluções de dependências para ninguém. Uma coisa é ser solidário, outra coisa é criar dependências a pretexto da solidariedade”, diferenciou.

“Nós defendemos valores importantes como a liberdade, mas sabemos que sem um ideal de uma sociedade justa, a liberdade sabe sempre a pouco e é sempre demasiado limitada. Nós sabemos que todos devemos ser encarados como iguais, mas também sabemos que as soluções igualitárias, ou igualitaristas, conduziram aos maiores totalitarismos nas sociedades modernas. E por isso rejeitámos historicamente os totalitarismos, a estatização, a coletivização. Combatemos esta ideia de propaganda em que cada cidadão é convidado a transformar-se num cliente das políticas públicas que o Governo, no seu leilão eleitoral, vai jogando a cada eleição”, vincou, gerando então mais uma salva de palmas.

Fonte: Jornal Económico

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