Investigação ao Atlântida foi arquivada

cometeu qualquer crime, mas o negócio custou ao Estado 70 milhões de euros. O problema foi a incompetência e as nomeações políticas. Esta é uma das conclusões da investigação judicial à construção dos navios Atlântida e Anticiclone

Oito presidentes e administradores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) foram constituídos arguidos no processo judicial que visou o negócio da construção de dois navios de transporte de passageiros para os Açores, mas o Ministério Público (MP) acabou por concluir que nenhum cometeu qualquer crime de administração danosa, falsificação ou de participação económica em negócio.

Para o MP, o problema foi outro: nomeados politicamente pelo Governo, a maior parte destes responsáveis dos ENVC simplesmente não percebia nada de construção naval e acabou por contribuir de forma involuntária para um negócio desastroso avaliado em 70 milhões de euros. Só a Caixa Geral de Depósitos (CGD) avançou com um empréstimo de 40 milhões de euros. No fim, um dos navios não foi sequer construído e o outro acabou vendido a preço de saldo a um empresário português.

“Os membros do Conselho de Administração, quer da Empordef [empresa pública que tutelava os Estaleiros Navais de Viana do Castelo] quer dos ENVC, por regra eram indigitados pela tutela, sendo que as nomeações não eram suportadas exclusivamente em critérios empresariais, obedecendo, também, a critérios de natureza política”, diz o despacho de arquivamento do processo assinado pela procuradora Auristela Pereira, que logo depois conclui: “Assim se compreende que, no período em que foram celebrados e executados os contratos em causa nestes autos, nenhum dos presidentes do Conselho de Administração ou restantes membros tivesse formação em Engenharia Naval.”

A investigação judicial ao negócio dos navios Atlântida e Anticiclone só foi iniciada em 2010, na sequência de uma queixa do grupo parlamentar do PSD dos Açores.

Fonte: Sábado

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