Maior hospital privado do país está em risco de fechar por falta de Financiamento

Maior hospital privado do país está em risco de fechar

 

Manuel Agonia, dono dos Hospitais Senhor do Bonfim, garante que o Estado lhe está a dever e diz que, sem o saldar da dívida, não pode pagar os salários aos funcionários, que não recebem desde janeiro.

O dono do complexo Hospitais Senhor do Bonfim (HSB), em Vila do Conde, admite fechar aquele que é o maior hospital privado do país. Em declarações ao Negócios, Manuel Agonia confessa andar “vermelho de vergonha” por não conseguir pagar os salários que deve aos cerca de 350 funcionários, que não recebem desde janeiro — e não têm garantias de vir a receber. Para isso, diz Agonia, é necessário que o Estado salde uma dívida para com o HSB e que se consiga garantir a entrada de um investidor. Sem isso, fecha “o hospital em abril”, garante.

Agonia afirma que os salários dos trabalhadores estão dependentes da regularização da situação do pagamento de uma “dívida de mais de 500 mil euros que o Serviço Nacional de Saúde tem por liquidar há mais de um ano”. De acordo com o Negócios, a dívida é relativa a serviços prestados pelo HSB ao Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde, que ainda não teve luz verde para os saldar.

O secretário de Estado da Saúde disse na segunda-feira que não tinha conhecimento dessa dívida e que ia “procurar ver o que se passa”, assegurando que o Ministério da Saúde pretende “cumprir e honrar os acordos e protocolos celebrados que faz”.

Para o dono do HSB, as declarações do secretário de Estado demonstram “falta de caráter”, até porque, afirma, alguns dos responsáveis que acompanhavam o governante no momento das declarações “sabem de tudo”. Agonia lamenta ainda a falta de acordos com o SNS e o silêncio da Assembleia relativamente a uma petição com 4.500 assinaturas que reclama a celebração de convenções com o SNS.

Manuel Agonia disse também ao Negócios que esta quarta-feira se vai encontrar com um potencial investidor internacional, mas revelou que este, além querer “despachar alguns colaboradores”, pretende que o dono do complexo hospitalar fique como “figura decorativa, sem poder decisório”, algo que não lhe “agrada”.

Caso não haja investidor — o que inviabilizaria também uma pretendida internacionalização para Londres e São Petersburgo — nem o Estado pague a dívida que Agonia assegura existir, o dono diz que vai deixar falir os Hospitais Senhor do Bonfim e fechar já no mês de abril.

Atualmente, o complexo hospitalar Senhor do Bonfim fatura apenas cerca de 3 milhões de euros ao ano. Contudo, quando foi inaugurado no final de 2014, a previsão era de que viesse a faturar anualmente cerca de 44 milhões de euros. O maior hospital privado do país — tem o dobro das camas do Hospital da Luz, em Lisboa — custou cerca de 100 milhões de euros.

Fonte: Observador

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