Fogo em Monchique voltou a agravar-se e a operação é “muito complexa”

O incêndio que lavra no Algarve há quatro dias, voltou a agravar-se durante o dia de hoje e o quadro geral da operação é neste momento “muito complexo”, afirmou ao final do dia o 2.º comandante da Protecção Civil Distrital Abel Gomes, sublinhando o agravamento das condições meteorológicas.

Ao final da manhã de ontem o fogo que se encontrava praticamente dominado, voltou a descarrilar por completo trocando as voltas aos bombeiros de Monchique, ficando mesmo incontrolável.

O alto da Fóia transformou-se num vulcão de chamas a derramar calor e fumo negro sobre a costa algarvia.

Pelas 22h40 desta segunda-feira, o fogo rodeava a vila de Mochique, destruindo mesmo uma casa de madeira pertencente a uns cidadãos estrangeiros.

Na zona estão 1105 operacionais de várias zonas do país, apoiados por 341 veículos e mais de uma dezena de aeronaves — incluindo três aviões Canadair disponibilizados pelo Governo espanhol.

 

Além da Fóia, Odelouca, a zona de Caldas de Monchique e o sítio do Cascalheiro eram os pontos mais críticos. “As chamas reactivaram e com grande intensidade”, disse Abel Gomes. O vento aumentou de intensidade, surgiram projecções que “ultrapassaram a capacidade de extensão dos combatentes”, acrescentou. Foram disponibilizadas 24 máquinas de rasto, mas na fase inicial apenas duas estiveram a trabalhar.

No Centro de Meios Aéreos, a cerca de duas centenas de metros de distância do quartel dos bombeiros voluntários de Monchique, cinco helicópteros não chegaram a levantar voo durante toda a manhã, por falta de visibilidade. “Estão em jogo questões de segurança”, justificou Abel Gomes.

O presidente da Comissão Distrital de Protecção Civil, Jorge Botelho (também presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve — Amal) desdramatizava ao final da manhã: “Noventa e cinco por cento do perímetro do fogo está considerado dominado.” Entretanto, o número de pessoas feridas subia de 25 para 29, entre as quais, uma mulher de 72 anos, que teve de ser transportada para o Hospital de São José, em Lisboa.

Apesar de todos os operacionais no terreno,  Garcindo Barradas, do sítio da Nave Redonda, aponta críticas à falta de assistência: “Tanto bombeiro, aviões e sei lá mais anda por aí, mas não se percebe o que andam a fazer.”

O presidente da câmara acha que houve “melhoria nas medidas de prevenção e nos meios de defesa, mas falta fazer o essencial”. O ordenamento da floresta, no entender do autarca social-democrata, é a questão central que continua por resolver.

 Fonte: Público/Lusa

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